excesso de nescau

ontem, pela primeira vez, entendi um lado diferente de uma uma velha história.

é uma das histórias de família, daquelas que os tios contam no aniversário, e a vó usa pra pegar no pé. daquelas que todo mundo sabe, porque nem o próprio sujeito (eu, no caso) vê problema em contar.
o fato é que, quando eu era criança (bebê), minha mãe deixava mamadeiras de nescau na cabeceira da cama. três por noite.
a infalível rotina fazia com que eu não acordasse meus pais de madrugada. e todas as manhãs as três mamadeiras estavam lá vazias.
contam que, nas noite em que eles observavam o plano em ação, perceberam que eu não tomava elas de uma só vez, mas acordava em momentos diferentes da noite pra tomar uma por uma.

sempre acreditei (até porque sempre apontaram como tal) um motivo pra me sentir mimado. protegido. como se eu tivesse vantagem sobre as outras crinças. um folgado nato.

ontem tive que ouvir uma psicanalista dizer que agora (depois de saber essa historinha) ela entendia uma parcela da minha frieza. que foi assim que eu criei independência afetiva. e que é por isso que eu não tenho vínculo com as pessoas, não crio laços.

por causa do nescau.

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